Falta de semicondutores dificulta a produção de veículos, o que acaba gerando fila de espera para os consumidores

A crise de desabastecimento, causada pela falta de peças no mercado de veículos novos, deve perdurar ao menos até o ano que vem. A previsão é do presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do RS (Sincodiv), Paulo Siqueira.

Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
GM em Gravataí retomou produção nesta semanaRonaldo Bernardi / Agencia RBS

Em entrevista à Rádio Gaúcha, Siqueira afirma que a falta de produção de componentes eletrônicos — os chamados semicondutores —, além de outras peças, já é conhecida em nível mundial desde o início da pandemia. O reflexo é que as fábricas estão com veículos semiprontos, sem conseguir entregar às concessionárias. Segundo ele, no Exterior, as fabricantes já estudam repassar às revendedoras carros não-acabados, para que sejam guardados. Siqueira avalia que a variedade de veículos tende a continuar sendo menor:

— A fila para quem busca variedade de veículos novos está muito grande, e os estoque tendem a baixar muito mais ainda em função dessa crise de abastecimento que estamos vivendo. Estamos ainda vivendo uma pandemia e o mercado automotivo está vivendo uma “auto-pandemia”. Recomendamos que quem quer um modelo específico, não demore a comprar.

A falta de semicondutores, que gerenciam todo o projeto eletrônico existente em um automóvel moderno, já é conhecida. Segundo ele, a crise está em diversos setores, e é possível que siga em 2022 e até em 2023.

— Cada carro tem entre 300 e 500 componentes como esse. A longa cadeia produtiva de um automóvel, que envolve fábricas diversas e logística, sofre, pois outros mercados também utilizam mais esses semicondutores. Também temos uma queda de mercado, junto com a crise de abastecimento. Os mercados internacionais vão priorizar a montagem de veículos com maior valor agregado e rentabilidade. Eles vão tentar normalizar o suprimento nos mercados mais ricos. É bem possível que esse cenário ainda se arraste ao longo de 2022, podendo chegar até 2023 — afirma Siqueira.

No Rio Grande do Sul, após cinco meses parada, a GM retomou a produção com um turno de trabalhadores. A prefeitura de Gravataí estima impacto de R$ 40 milhões na arrecadação do município com a parada.

Fonte [https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2021/08/oferta-reduzida-de-automoveis-novos-deve-prosseguir-no-proximo-ano-diz-sindicato-de-concessionarias-cksi20hdr00bv013b2s5m83ny.html]