A escolha do Brasil como destino do investimento foi motivada pelos excelentes resultados do mercado local de seminovos – o país é o terceiro melhor, atrás apenas de China e EUA.

Dados recentes da Kelley Blue Book Brasil, empresa especializada em pesquisa de preços de veículos, deixam isso muito claro: carros de quatro a dez anos de uso valorizaram, em média, 13,04% durante o primeiro semestre de 2021. O levantamento ainda mostrou que os veículos mais antigos puxaram as altas de preços ao longo do período, acumulando variação de 15,01%.

Para mais, a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) apontou o crescimento no mercado de seminovos de quase 82%, quando comparado com o mesmo período do ano passado. Foram mais de 990 mil unidades comercializadas ante as 546.538 de 2020. Já a média diária de vendas ficou em torno 59 mil, o que representa aumento de 7,8% em relação ao primeiro semestre de 2019, quando ainda não havia crise da Covid-19 no país.

Diversos motivos explicam o movimento. Entre eles, o “custo-benefício”. Consumidores que já procuravam um carro zero-quilômetro optaram pela compra de um modelo usado, seja pela oferta, preço ou comodidade. E, por consequência, acabaram se sentindo atraídos pelos seminovos devido à rígida inspeção e certificação de dados pelas quais os carros são submetidos antes da venda.

Também não se deve desprezar a escassez de modelos de entrada zero-quilômetro no mercado. A indústria automotiva foi o segmento que mais sofreu as consequências da pandemia do novo coronavírus. O preço médio desses veículos chegou a níveis muito acima da inflação. Como resultado, o percentual de venda caiu 21,6% no ano passado, de acordo com a Fenabrave.

Contudo, as projeções para o desempenho do mercado de automóveis para o próximo ano indicam que o setor voltará ao nível pré-pandêmico. A expectativa é embasada nos resultados do primeiro semestre de 2021 – período em que a indústria automotiva registrou alta de 33%, crescimento que só não foi maior devido à falta de semicondutores.

Embora a notícia se mostre extremamente positiva, há de se considerar a situação paradoxal que se implica dela. Com a retomada da produção de veículos novos, o mercado de seminovos será afetado. Portanto, cabe a esse segmento não se abater e buscar novas soluções para que seu resultado continue positivo como vem se apresentando.

Fonte: O Tempo