Os líderes têm muito a aprender com os cavalos. Um dos pontos mais importantes desse aprendizado é o estabelecimento de uma comunicação afetuosa. Como um horsemanship, observo que a maioria dos problemas comportamentais dos cavalos são provenientes de uma má comunicação —  e comunicação é tudo no processo de domesticação. Assim como na relação entre humanos e cavalos, é necessário estabelecer um vínculo afetivo, de compreensão e empatia, para criar e fortalecer conexões entre humanos.

A comunicação entre humanos e cavalos se estabelece por meio de uma  linguagem gestual, a partir do posicionamento do corpo. Envolve também a rotina do humano com o animal, os exercícios que fazem juntos, a forma de montar, etc. O grande barato dessa comunicação é que ela é silenciosa. Cavalos não gostam de pessoas barulhentas — eles não fazem barulhos porque são presas na natureza. Logo, desenvolveram essa forma de comunicação gestual. Tudo o que não acontece dentro desse formato acaba causando problemas comportamentais. A má comunicação com o cavalo pode deixá-lo agressivo porque ele fica confuso; e cavalos confusos podem tornar-se agressivos por uma questão de autodefesa.

Falhas e ruídos de comunicação entre humanos também geram conflitos e erros no ambiente corporativo. O que reforça a importância de estabelecer a Comunicação Não-Violenta (CNV) nas empresas, um conceito que engloba mais empatia, inteligência emocional, negociação e flexibilidade. Na prática consciente da CNV, refletimos sobre as nossas necessidades e a do outro, identificando o que está por trás de cada mensagem e da forma de falar. O receptor presta atenção aos sentimentos que a mensagem despertou em si, tentando compreender a necessidade do emissor, enquanto este também reflete sobre sua própria necessidade para se expressar de forma honesta e transparente. Ao identificar os sentimentos e as necessidades no diálogo, podemos nos responsabilizar por ele e então falar o que realmente está acontecendo e o que se espera do outro. Concluindo: com cavalos e humanos, aprendemos que sempre é necessário estabelecer uma conexão afetuosa e responsável para criar grandes alianças.

Também é curioso apontar que, no mundo dos cavalos, a manada é basicamente matriarcal. Isso quer dizer que a égua mais velha é o indivíduo que organiza o coletivo, que ensina o potro jovem a ser cavalo, que seleciona o garanhão, que dá a direção para onde a manada vai. A égua tem melhor memória, ela sabe onde tem comida e água, onde há mais predadores. Diferentemente do garanhão, a égua é a administradora e a coordenadora do coletivo. O modelo de liderança popular, do cara agressivo, dominador, mandão, etc, não cabe dentro da manada de cavalos. Esse sistema cooperativo, agregador, de ensino e memória, baseado em experiência, é mais efetivo do que todos os outros. Isso pode ser levado como lição para os gestores empresariais. Os sistemas de colaboração, principalmente quando voltados para fomento de ideias inovadoras, são cada vez mais importantes para o crescimento das organizações.

Fonte: EN