O brasileiro sempre foi um apaixonado por carros. Antigos ou zero quilômetro. Sedãs, SUVs ou esportivos. O ronco do motor, o cheirinho do estofado de couro. E o orgulho de passear com o possante nos finais de semana? Um automóvel para quatro habitantes – é muita gente motorizada. Conforme avançam os debates sobre mobilidade urbana, no entanto, esse vínculo assume outros contornos. O relatório Future of Mobility, produzido pela consultoria global R/GA, traz mostras dessa nova relação.

Dois em cada três proprietários de automóveis se dizem dispostos a, nos próximos dez anos, trocar o carro próprio por serviços de mobilidade (MaaS, na sigla em inglês). Um índice 15% superior à média global. Outro exemplo? Para 90% dos brasileiros, automóvel é sinônimo de liberdade. Cerca de 75% deles, porém, gostariam de dirigir menos.

“A troca de posse de um carro por um serviço de mobilidade será uma realidade. Ter um veículo era sinônimo de status, segurança e liberdade. Hoje, você não precisa ser dono para ter esses benefícios “, diz Márcio Oliveira, VP e diretor executivo de novos negócios da R/GA São Paulo. “Você pode estar seguro, livre, confortável no seu carro alugado zero quilômetro, sem gastos a mais, ou você pode chegar a seu destino de uma maneira igualmente segura, confortável e com alguém te conduzindo.”

E, durante a viagem, ainda é possível fazer compra no supermercado, na farmácia, pagar contas, ler as notícias, atualizar as redes sociais… Tudo isso sem medo de ser multado e sem ficar preocupado com onde estacionar o carro. O tempo é artigo de luxo, como bem lembra Márcio.

Para Ashish Prashar, diretor global de marketing da R/GA, o futuro da mobilidade exige investimento em infraestrutura e acesso ao MaaS –segundo ele, um reflexo da diversidade dos estilos de vida dos consumidores contemporâneos. “Agora, mais do que nunca, é importante que as empresas de transporte criem espaços para que as pessoas tenham uma experiência de marca diferenciada”, defende o executivo. “Esperar por um ônibus que passa a cada hora não é mobilidade. Ter um carro numa cidade com vias congestionadas também não o é.”

O setor está repleto de oportunidades para novos negócios. O desejo de mudar para os serviços de mobilidade não está restrito aos centros urbano. Quase 90% dos proprietários de veículos, em todo o mundo, incluindo aqueles em áreas rurais e nos subúrbios, querem experimentar novas opções de transporte. As duas barreiras são, conforme relato dos entrevistados, “falta de disponibilidade na minha área” (35%) e “problemas de segurança” (35%).

Para 83 entre cem donos de carros, o acesso a vários serviços, em um mesmo aplicativo, fácil de usar, é fator decisivo para adotar o MaaS. As comodidades oferecidas têm de ser relevantes, é claro. No Brasil, os elementos de marca que impulsionam o uso desses serviços são:

Reputação de marca (ouviu falar bem): 96%

Acesso a vários serviços em uma conta: 94%

Experiência de aplicativo fácil de usar: 97%

Recompensas e pontos: 91%.

Até 2025, estima-se, o compartilhamento de automóveis deve chegar a 36 milhões de usuários. Para se ter ideia do impacto do MaaS, apenas a utilização dos serviços de transporte e táxi aumentou para 1,4 bilhão de clientes. Espera-se que as receitas do serviço de mobilidade global cresçam de US$ 616,1 bilhões, em 2020, para US$ 1,298 trilhão em 2024.

Para o estudo da R/GA, foram ouvidas 5.084 pessoas em dez países — além do Brasil, China, Alemanha, Austrália, Índia, Reino Unido, México, Argentina, Colômbia e Estados Unidos. As análises levaram em conta quatro serviços de mobilidade — transporte em série, partilha de automóveis, scooters e bicicletas.

Fonte: EN