A Stellantis está indo muito bem em meio à crise dos semicondutores no Brasil, pelo menos. Aqui, as plantas de Betim e Goiana estão trabalhando normalmente mesmo com a escassez global de chips, que afeta os fabricantes mundiais.

Com cinco marcas no país, a Stellantis tem quatro delas com produção local: Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën. Ainda que a falta de chips seja um problema geral, a montadora conseguiu driblar a falta dos componentes para manter o ritmo.

Dessa forma, o resultado não poderia ser outro que não a liderança, tanto como grupo, como marca, com a Fiat no topo e com boa vantagem sobre a VW. Antônio Filosa, CEO da Stellantis na América do Sul, garante que a empresa manterá a ponta após a crise.

Brasil: Stellantis dribla falta de chips e quer manter liderança

Filosa disse ao site Automotive Business: “Na América do Sul entregamos um primeiro semestre muito positivo para a corporação. Nosso trabalho é mostrar desempenho melhor que os outros para manter a região em posição estratégica e não faltar componentes. Conseguimos administrar a falta de semicondutores com flexibilidade industrial e a criatividade da nossa equipe de 1.100 engenheiros. Quem é mais eficiente neste momento ganha mercado, mas o que garante nossa liderança é o plano comercial que traçamos há três anos, ainda como FCA”.

Realmente, quem tem a produção regular, pula automaticamente para a ponta sem esforço, visto que as rivais caíram vertiginosamente. Tanto Volkswagen quanto a General Motors (esta ainda mais), despencaram com paralisações nas fábricas.

Mesmo a Toyota, que subiu, viu sua planta de Sorocaba ficar parada por um tempo. A Hyundai, outra candidata a ir para o topo, não escapou de redução e paralisação. Enquanto isso, a Stellantis mantém dois turnos em Betim e três em Goiana.

Brasil: Stellantis dribla falta de chips e quer manter liderança

Embora pareça que a Stellantis esteja fabricando chips, a falta de semicondutores é uma preocupação para a montadora nos próximos meses e paralisações podem ocorrer, segundo Filosa. Para não perder mercado (e a liderança), o grupo têm focado na produção geral e não somente em modelos de maior valor agregado, incluindo ainda o atendimento às frotas.

O executivo italiano disse: “Neste momento poderíamos desviar componentes e vendas para nichos de maior lucratividade, mas não estamos fazendo isso, estamos tratando todos com a lógica da equidade e sendo transparentes [quanto aos tempos de espera]. Quando não temos um carro, podemos oferecer outro modelo mais próximo que temos para entregar, mas respeitamos o desejo do cliente.”

Brasil: Stellantis dribla falta de chips e quer manter liderança

Para manter-se no topo durante e após a crise, Filosa libera a receita “mineira”: nacionalizar mais e fazer lançamentos. O executivo explicou: “Já somos em muitos aspectos a montadora que mais nacionaliza, desde grandes partes como o novo motor turboflex que começamos a produzir este ano em Betim, até outros vários pequenos itens que desenvolvemos com diversos fornecedores. Estamos sempre estudando oportunidades para evitar a volatilidade cambial e reduzir os riscos logísticos das importações. Com semicondutores isso é mais difícil porque existem poucos fornecedores no mundo, mas sempre procuramos diversificar e flexibilizar as fontes para contornar possíveis problemas como enfrentamos agora”.

No caso dos lançamentos, Filosa explica que os lançamentos garantem uma cartela de clientes maior e isso permite manter as marcas do grupo em evidência no mercado. O único risco, porém, é a falta de componentes, o que colocaria todo o plano a ver navios…

Para 2022, o crescimento pode ser atrapalhado por instabilidade política e econômica, alta do dólar, alta da inflação, custos elevados, juros e possíveis crises hídricas e energéticas… Ou seja, é muita coisa ruim para atrapalhar o mercado.

[Fonte: Automotive Business]