Mudanças de estado ou cidade, compras e doações de veículos são algumas das motivações que podem levar alguém a contratar os serviços de um caminhão-cegonha. E são essas demandas que a rede de franquias Foccus Cegonhas atende. A empresa, fundada pela estudante de medicina veterinária Karla Diebe, 25 anos, faturou R$ 1,5 milhão em 2020. Só no último mês de julho transportou mais de 900 veículos. Agora, iniciou a expansão por franquias e quer chegar a todo o Brasil.

Diebe trabalhava com vendas de roupas infantis, mas tinha vontade de empreender e ter o próprio negócio. “Eu sempre gostei de cozinhar e cheguei a pensar em uma marmitaria, mas fiquei com medo, pois precisava de um investimento alto, além do diferencial.” Uma das motivações de ter um negócio próprio, além de melhorar os ganhos, seria a possibilidade de ter um horário mais flexível para poder acompanhar a mãe, que estava em tratamento de câncer.

Foi quando o sócio e ex-marido da empreendedora, Luiz Maia, 35 anos, que tem mais de 12 anos de experiência com logística, percebeu que poderia criar uma espécie de “uber do caminhão-cegonha” e propôs sociedade à Diebe. A possibilidade de empreender com um capital inicial menor do que o necessário para abrir uma cozinha chamou a atenção dela.

“Eu não tinha contato nenhum com a área. Quando eu percebi a viabilidade e o potencial do negócio de transporte, fui estudar para entender mais a respeito. Iniciamos a operação em março, poucos dias antes da pandemia, e acabou que tivemos bastante demanda. Aquilo me animou bastante”, diz.

No modelo de negócio da Foccus Cegonhas, motoristas donos de caminhões-cegonha podem se cadastrar na plataforma da empresa e receber demandas de transporte de veículos. A empresa disponibiliza bases para que os caminhões possam ficar estacionados, receber os clientes pessoalmente e passar por fiscalizações.

“Criamos um software próprio de gestão para que as unidades franqueadas possam falar diretamente com o cliente final. Na Foccus, o franqueado cuida da parte comercial como um todo, incluindo captação e fechamento de contratos”, diz.

Diebe conta que, com o tempo, percebeu que precisaria enfrentar desafios adicionais no negócio. “Sofri muito preconceito por ser nova e, principalmente, por ser mulher. Eu fui conquistando meu espaço e fiz até amigos no ramo. Hoje, tenho o respeito e o carinho de muitos deles.”

A ideia é ter uma base em cada grande centro, pelo menos. Hoje já são quatro implantadas ou em processo de abertura no Sul, no Sudeste e no Nordeste. Atualmente, 1.500 motoristas estão cadastrados na plataforma.

A ideia de levar o negócio para franquias surgiu ainda em julho do ano passado, quando motoristas e clientes de diversos estados começaram a aparecer. A empreendedora percebeu que seria necessário ter um ponto de contato mais próximo em cada região. O modelo foi formatado ao longo de 2020 e iniciou a expansão em março de 2021, um ano após a fundação.

São dois formatos de franquia: home based, em que o franqueado é responsável pela captação de leads, e a franquia de base, que demanda um espaço de 500 metros quadrados para estacionamento dos caminhões. Para o primeiro, o investimento inicial é a partir de R$ 54,7 mil. Já para o modelo de negócio maior, o investimento parte de R$ 87,7 mil. Os valores contemplam taxa de franquia, capital de giro, investimentos gerais e marketing. Hoje, já são 12 unidades comercializadas, sendo oito home based.

Diebe afirma que está animada com o futuro do negócio. Ela já estuda novos formatos de serviço, como o transporte de caminhões, o que demandaria veículos ainda maiores do que os caminhões-cegonhas atuais. A meta é faturar R$ 10 milhões em 2021. “Eu tenho mais um ano e meio de faculdade. Ainda pretendo trabalhar como veterinária, mas vou ser sincera: me apaixonei pela logística e quero estudar e me aprimorar mais nessa área.”

No que depender da empreendedora, o crescimento da Foccus Cegonhas não será limitado por fronteiras: o projeto futuro é a internacionalização pela América do Sul.

[Fonte: PEGN]