Já se perguntou se os preços altos, irreais, dos carros voltarão ao patamar do início de 2020 após a pandemia? Pois é, na realidade do mercado automotivo brasileiro há de se desconfiar que nada mudará e comprar carro novo será um perfil de consumidor de poder aquisitivo maior.

Ainda que ninguém saiba exatamente o que irá acontecer, lá fora, BMW e Daimler já dão uma ideia do que vem por aí e, acredite, a perspectivava não é nada boa…

Se o problema fosse somente a pandemia, com o fechamento de fábricas e do mercado por conta da contaminação, talvez não fosse assim tão grave a situação do setor automotivo. Talvez…

Mas, a falta de chips e outros componentes, está lançando a indústria automotiva mundial em rota de colisão com os consumidores. Pelo menos as massas, que na falta de carros novos, lançou-se nos usados.

Aqui e nos EUA, os preços médios desses carros continua a subir. Já na Europa, o mercado europeu caiu tanto que o Dacia Sandero passou a ser o carro mais vendido, dado que usa muito menos chips que um Golf ou Clio, principais players por lá.

Nesse ambiente volátil, fabricar carros mais caros é a saída para reduzir as perdas, se os chips estiverem disponíveis para ter a produção. Nos EUA, o foco em picapes é prioridade, enquanto os carros de luxo focam cada vez mais em preços altos.

Ainda assim, lá fora, picapes e carros de luxo, especialmente no mercado americano e devido à alta concorrência, sempre recebem algum tipo de desconto para atrair os consumidores.

Montadoras: preço alto será mantido após pandemia

Como muitos clientes desejam os carros imediatamente, ainda mais diante da falta de carros zero km em estoque, para não perder a chance, pagam o que estiver sendo cobrado.

Assim, a pandemia mostrou que marcas como BMW e Mercedes-Benz podem vender seus carros pelo preço cheio ou até mais que a tabela. Com a maior precificação em 24 meses, o fabricante de Munique vê a chance de ganhar margens maiores.

Uma estimativa aponta que a redução de um ponto percentual nos descontos do setor, geraria um lucro adicional de US$ 20 bilhões. Na Daimler, a ênfase é a criação de séries cada vez mais limitadas, reduzindo a produção de carros de alto volar para criar filas de espera.

Montadoras: preço alto será mantido após pandemia

Nesse caso, os clientes ficarão satisfeitos pela exclusividade e pagarão o preço declarado para ter a novidade. Modelos de alto valor, como o Ford Bronco, conseguiram milhares de pessoas nas filas de espera e a maioria certamente não considerará o desconto para obter o carro.

Ou paga o preço sugerido (ou mais, no caso de acessórios e disponibilidade da versão) ou sentam e esperam muito tempo para ter o veículo que querem.

Modelos como o Chevrolet Corvette já mostram essa realidade nos EUA, com clientes obtendo versões que não desejavam apenas para não perderem a compra. Diante disso tudo, difícil crer num recuo de preços. A conta já está sendo paga…

[Fonte: Financial Times]