Esta semana AutoData teve alguns motivos para comemorar e muitos para lamentar. Enquanto finalizávamos evento sobre os temas eletrificação e ESG, o grande jornalista e um dos fundadores de AutoData, S. Stéfani, nos deixou. Stéfani construiu parte de sua carreira na Gazeta Mercantil e se tornou um ícone do jornalismo especializado em economia e negócios no País. E depois ajudou a construir AutoData com os princípios da ética e precisão do trabalho jornalístico para transformar informação em conhecimento, o que tentaremos, com todas as nossas forças, levar adiante.

A vida continua e durante o Seminário Brasil Elétrico + ESG comemoramos a possibilidade de contribuir para as discussões de como será o futuro da mobilidade no Brasil, reunindo uma série de especialistas e executivos do setor automotivo. Em meio a tantas transformações e desafios uma constatação é quase unânime: a agenda dos próximos dez anos terá a descarbonização e os critérios ESG como pilares para uma nova indústria automotiva nacional. E quem duvidar disso ou não tomar esses caminhos o destino será a extinção.

Foi o que argumentou Nelmara Arbex, especialista em ESG da consultoria KPMG: “o prazo dado para a descarbonização do planeta não é novo e os eventos extremos recentes demonstram que acelerou a urgência para atingir as metas do Acordo de Paris. As estratégias de negócios da indústria não podem seguir como se isso não existisse”.

O mercado financeiro também avalia como positiva a iniciativa do setor privado apresentando suas ações e resultados ambientais, social e de governança, o que permite acesso a fundos de investimentos que apoiarão essa agenda. Porém, Luciana Nicola, superintendente de sustentabilidade e negócios inclusivos do Itaú, propõe que “a agenda ESG não se refira apenas ao ambiental, social e governança, mas também ao climático, sendo olhado de forma desatrelada. Com a divulgação de relatório do IPCC apontando para o avanço acelerado do aquecimento global essa agenda será cada vez mais debatida e puxada pelo setor privado”.

No setor automotivo, o trabalho está apenas começando para avançar nessa agenda complexa e diversa, por isso o ESG e a descarbonização não só do produto, mas de toda a cadeia industrial, são os assuntos do momento nas reuniões online ou presenciais dos executivos e gestores dessa cadeia. Há muito o que ser feito e as decisões de agora poderão influenciar o destino das empresas nesta década.

Biocombustíveis, baterias, motores elétricos, energia renovável, diversidade no mercado de trabalho, contribuição direta para a sociedade, aquecimento global. Esses e muitos outros temas, alguns completamente desconhecidos dos tomadores de decisões, estão na boca do povo, ou seja, do consumidor, influenciando as estratégias das empresas.

Mas qual a razão para essa guinada para atender as demandas dos clientes? É que, para alguns, a felicidade das pessoas extrapola a posse ou o uso de um veículo. Como destacou Viviane Mansi, diretora de comunicação e sustentabilidade da Toyota para América Latina e Caribe: “Temos produto de valor muito alto e para atingir a missão da Toyota, de felicidade para todos, é preciso fazer muito mais. Temos que ser exemplo de governança. Temos que criar empregos, pagar impostos, crescer, criar competitividade para todos. Porque quando agimos dessa maneira acreditamos que levamos felicidade para todos e isso é muito além do que entregamos no produto em si”.

É bom ir se acostumando: a responsabilidade da indústria automotiva vai muito além de vender carros.

+ Queremos elétricos. Outro momento para comemorar esta semana é a publicação do estudo feito por AutoData em parceria com a SAE Brasil e a KPMG com consumidores e executivos para apontar os futuros da mobilidade. Dentre as muitas opiniões desses públicos específicos que servirão para as decisões dos executivos da indústria destaque para a aquisição de carro elétrico: 89,7% gostariam de ter este veículo na garagem.

+ Mercado aquecido. Outro ponto interessante é que 44,3% dos consumidores têm a intenção de comprar um carro 0km nos próximos 24 meses. Outros 40% dizem que vão ao mercado de usados adquirir um novo veículo.

[Fonte: UOL]