O dólar abriu a semana em alta de 1,44%, cotado a R$ 5,447 na venda, recuperando-se da queda de 1,42% registrada na última sessão. Com o desempenho de hoje, a moeda americana chega ao maior valor em mais de cinco meses, desde 27 abril, quando terminou o dia a R$ 5,461. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), tombou 2,22% nesta segunda-feira (4), aos 110.393,09 pontos, depois de encerrar a semana passada em queda acumulada de 0,34%.

No ano, o dólar já soma ganhos de 4,97% frente ao real, enquanto o Ibovespa registra perdas de 7,25%. Ambos os resultados têm setembro como maior responsável: no mês passado, a moeda americana subiu 5,30%, e o índice caiu 6,57%. O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Cautela no exterior…

Os desempenhos do dólar e da Bolsa hoje refletiram o clima de cautela nos mercados globais, em meio a temores sobre inflação e crescimento econômico. Pela manhã, analistas do Bradesco também citaram como fatores de influênciaas expectativas em torno da política monetária nos Estados Unidos, que divulgarão na sexta-feira (8) um importante relatório sobre o emprego no país. Qualquer sinalização de melhora na economia dos EUA pode elevar as apostas no mercado sobre quando o Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano) vai começar a retirar seus estímulos, o que deve levar à valorização do dólar — especialmente frente às moedas de países emergentes, como o Brasil. As condições do mercado de trabalho norte-americano são uma das principais variáveis condicionando o momento do início da retirada de estímulos monetários pelo Fed.

O Ibovespa, especificamente, já abriu a sessão em baixa, tendo aprofundado as perdas após abertura das bolsas dos EUA, marcada por quedas mais acentuadas nas ações de empresas de tecnologia, que devem ser as mais afetadas por uma eventual alta de juros — hoje próximos a zero — pelo Fed.

E tensão no Brasil…

Enquanto isso, no Brasil, os investidores também repercutiram a notícia divulgada ontem de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, foram citados em investigações sobre acúmulo de riquezas em paraísos fiscais.

Além disso, segundo disse à Reuters Alexandre Netto, chefe de câmbio da Acqua-Vero Investimentos, o quadro geral é de aversão a risco, em meio a preocupações fiscais internas, o que também prejudica o real e a Bolsa. Participantes do mercado têm alertado para a falta de recursos dentro do teto de gastos para financiamento de possível prorrogação do auxílio emergencial, que já é discutida por lideranças da Câmara do Deputados e do governo, o que tem afetado o sentimento local nas últimas semanas.

[Fonte: UOL]