O cenário econômico brasileiro não é positivo, mas, se permanecer como está, a notícia é boa. Na verdade, a situação poderia ser até pior. Os dados de desempenho da indústria automobilística de setembro, divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), revelam que houve retração do setor automotivo em comparação ao começo de 2021.

Nos cinco primeiros meses do ano, a produção de carros se manteve entre 190 mil e 200 mil unidades por mês. De junho a setembro, ficou entre 164 mil e 173 mil. Cerca de 30 mil a menos, por mês.

Considerando o acumulado do ano, somou-se 1,6 milhão de automóveis. Isso é pouco. No ritmo do último período, é possível projetar mais 480 mil unidades, o que levaria à conclusão de 2021 com 2,1 milhões de carros. Ou seja, um aumento de meros 6% em relação a 2020 – ano que é uma referência nada saudável para a economia brasileira.

Se o mercado e a indústria retomarem a partir de outubro o mesmo cenário do início do ano, prevê-se uma melhora de 10% em relação a 2020 – o que resultaria em 2,2 milhões de unidades. Como este seria o melhor quadro projetável, trata-se de um número muito aquém do período pré-pandemia (que já se encontrava em situação de recuperação de crescimento).

Os dados de produção do último trimestre mostram que a atividade mensal nacional ainda está abaixo do realizado em 2020. Foram 601 mil carros fabricados em julho, agosto e setembro. No período equivalente deste ano, foram 501 mil unidades.

Produção de 2021 está aquém dos anos anteriores, considerando a pré-pandemia e o pior momento dela — Foto: Anfavea

Produção de 2021 está aquém dos anos anteriores, considerando a pré-pandemia e o pior momento dela — Foto: Anfavea

Para 2021, a indústria esperava uma retomada dos trabalhos a todo vapor, mas isso não ocorreu por causa de transtornos logísticos e na cadeia produtiva, sobretudo pela crise dos semicondutores.

Também ocorreu uma escassez generalizada de insumos, como plásticos, resinas e borrachas, com consequente aumento dos preços das commodities, como o aço. Faltou contêineres e o preço dos fretes aéreos disparou.

Esses desafios geraram efeitos sensíveis para o consumidor, que encontram dificuldades na compra de carros novos, bem como o aumento substancial nos preços. Até 2020, para cada carro 0km vendido, outros dois ou três eram comercializados no mercado de seminovos.

[Fonte: AE]