A escassez de microchips no mundo deve pressionar os preços dos smartphones, às vésperas da Black Friday e do Natal. A gigante Apple já teria reduzido a expectativa de produção do iPhone 13 de 90 para 80 milhões de unidades até o fim do ano, segundo a agência Bloomberg. O coordenador de MBA de marketing de varejo da FGV, Ulysses Reis, explica que as outras fabricantes devem sentir o impacto e vão precisar elevar os preços.

“No caso da Samsung, da Nókia e da Xiaomi, por exemplo, elas não têm o mesmo lastro financeiro (da Apple) e, provavelmente, vão ter que aumentar os preços. Se eles já não têm o estoque comprado, certamente vão ter que reajustar o preço”, diz Ulysses.

O professor analisa que, no caso do iPhone, os preços não devem alterar muito. Isso porque a gigante da tecnologia possui uma política própria de preços, além de ter reservas financeiras.

“A margem de lucro da Apple é alta. Ganham dinheiro não só com iPhones, mas com computadores e o ecossistema da Apple Store. A Apple hoje tem R$ 200 bi em caixa na Irlanda, porque lá paga menos impostos. Então a falta do microchip não a afeta”, detalha.

A falta de microchips começou a assombrar a economia global desde o primeiro semestre de 2021, com o aumento da demanda por aparelhos eletrônicos e automóveis com tecnologia agregada. A indústria automotiva foi fortemente impactada pelo desabastecimento dos componentes, o que causou a paralisação temporária de linhas de produção em montadoras.

Projeção.

A solução para a crise dos microchips não virá no curto prazo. Ulysses explica que a indústria automobilística deve começar a se estabilizar no segundo semestre de 2022, e a dos smartphones depende do aumento da produção dos chips.

“Com relação à parte geral dos chips, de smartphones et., outras fábricas estão sendo criadas por japoneses e norte-americanos, que provavelmente vão entrar em funcionamento só em 2023”, projeta o professor.

[Fonte: OT]