A disposição para inovar e a agilidade para solucionar problemas — características intrínsecas às startups — sobrevivem ao crescimento do negócio? Em outras palavras, é possível ganhar escala sem perder a cultura?

Para Roger Laughlin, cofundador e diretor-executivo da Kavak no Brasil, não existe receita de bolo, e esse talvez seja o segredo: “A cultura não pode ser algo fixo no tempo, ela está constantemente evoluindo. Eu não sou o dono da cultura, ela vai mudar com a contribuição de todas as pessoas que vão entrar. Claro que tem uma base, a gente valoriza muito o autoconhecimento e a curiosidade”, contou, durante sua participação em um evento organizado pela Época Negócios.

À frente do que se tornou o primeiro unicórnio mexicano, com um valor de mercado estimado em US$ 8,7 bilhões, Laughlin agora comanda as operações no Brasil. Recém-chegada ao mercado brasileiro, a Kavak, que atua no segmento de compra e venda de veículos usados e seminovos, fez um investimento local inicial de R$ 2,5 bilhões, o maior já realizado desde a sua fundação, em 2016. Também formalizou a contratação de mil funcionários entre julho e setembro e comprou mais de cinco mil carros. No México, país onde foi fundada, a Kavak tem hoje mais de 2,5 mil funcionarios e 20 centros de logística.

Mas se engana quem pensa que o plano de expansão está restrito apenas às áreas operacional ou financeira. Roger afirma que a cultura da empresa também foi pensada desde o início para ganhar escala. “A gente queria construir um negócio com uma cultura escalável, que realmente tivesse o foco em pessoas e cultura como prioridade.”

Tanto é que uma das cofundadoras, Loreanne Garcia, é Chief People Officer desde o primeiro dia de empresa, e continua sendo até hoje, depois de cinco anos. “Um dos fundadores olhou desde o primeiro dia para o tema de pessoas, para a nossa cultura e ajudou a construir essa base de cultura que conseguisse escalar com o tempo”, explica Roger.

Um negócio de relacionamentos

Para o empreendedor, a Kavak é um negócio de relacionamentos – com clientes, investidores e com as pessoas dentro da organização. A valorização do autoconhecimento e da curiosidade, dois atributos citados pelo empreendedor, é parte da estratégia de negócio. “Eu preciso ter pessoas que perguntem. Porque é muito difícil tomar decisões olhando para trás quando não existe esse histórico. E as pessoas que conseguem fazer isso, tomar decisões, são as pessoas que conseguem fazer perguntas”, afirma.

O empreendedor conta que procura se relacionar da mesma forma com investidores. “Não falamos com investidores apenas no board. Da mesma forma que você olha para uma pessoa que vai ser parte do seu time, você olha para o investidor.  A gente procura investidores com quem a gente possa criar uma conexão pessoal, além de profissional. A gente comemora com eles, a gente faz com que eles sejam parte do que estamos construindo”.

[Fonte: Época Negócios]