O mercado automotivo ainda vai passar por uma crise séria em 2022, com uma normalização da entrega de insumos, como os semicondutores (em falta para diversas indústrias), somente em 2023. A previsão é do presidente do Conselho da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), Paulo Miguel Junior, durante coletiva de imprensa realizada hoje (19).

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Mercado automotivo enfrentará crise séria também em 2022, aponta Abla

Mercado automotivo enfrentará crise séria também em 2022, aponta Abla

“O que temos visto de produção de semicondutores pelo mundo é que estão trabalhando com 100% das operações, mas a demanda está muito grande. Estes chips são usados em diversos produtos – principalmente no setor de eletrônicos –, os contratos com as empresas são sigilosos, não sabemos o volume e se estão entregando a quantidade acertada. São muitas dúvidas a respeito, mas pelo que tenho visto e analisado no cenário, não acredito que a produção completa de automóveis será retomada tão cedo”, explica Miguel Junior.

No ano passado, as locadoras compraram mais de 360 mil automóveis. Até setembro deste ano, já foram adquiridos 310.561 veículos e a previsão é que este número chegue em 380 mil até o fim do ano. Analisando o que ficou represado e a quantidade que seria necessária, a previsão de compra seria de 800 mil veículos, mas já no começo do ano foi possível prever que esse número não chegaria a 450 mil. O ponto positivo é que o volume de compra já tende a ser maior que no ano passado.

TURISMO
Em abril e maio de 2020, no início da pandemia de covid-19, foi registrada uma queda de 90% na locação de veículos para viagens de lazer e a negócios. A retomada aconteceu em “V” e o momento atual é de uma demanda bem acima da oferta – vide o problema de entrega de automóveis por parte das montadoras.

Reprodução/Abla

Paulo Miguel Junior, da Abla

Paulo Miguel Junior, da Abla

“A procura é muito acima da oferta, principalmente em feriados e agora para o fim do ano. O número de veículos que as locadoras possuem, além dos que chegarão até lá, não será suficiente para suprir a demanda. Teremos mais um final de ano sem carros nas companhias, como foi no ano passado. Mas não há muito a fazer, está relacionado à falta de entrega de carros para as locadoras”, pontua.

FROTA
O setor de locação, hoje, possui uma frota de 1,07 milhão de veículos. O que representa um aumento em relação ao pouco mais de 1 milhão de automóveis registrados no ano passado. A montadora que mais vendeu para as empresas locadoras em 2021, considerando até setembro, foi a Fiat, com mais e 105 mil automóveis e comerciais leves.

Outro problema que o segmento enfrenta, além da falta de carros, é a idade média de frota. Antes da pandemia, os veículos possuíam cerca de 14 e 15 meses, agora, estão chegando a 23 meses. Isso acaba pesando para o setor e, segundo Miguel Junior, era algo que não acontecia há muito tempo no mercado. “Temos de lembrar que estamos vivendo um momento de exceção.”

A idade do carro acaba, também, impactando diretamente no consumidor que, geralmente, prefere alugar veículos mais novos.

“Não é algo que agrada o cliente. As pessoas estavam acostumadas a pegar carros mais novos e elas têm reclamado na hora de alugar veículos um pouco mais rodados, mas realmente não tem alternativa para contornar isso”, finaliza.

Por Beatrice Teizen

[Fonte: PR]