A crise instaurada com a falta de chips está levando a uma situação difícil para as locadoras, que agora não sabem mais o que é carro zero km na frota. O tempo de espera chega a 10 meses em alguns casos. Com fábricas paradas ou em ritmo lento, devido à falta de suprimentos, as empresas de aluguel de automóveis trabalham com o que tem.

Paulo Miguel Júnior, presidente do Conselho da Abla, entidade que reúne as empresas do setor, disse: “A maioria das montadoras, não está mais aceitando pedidos das locadoras”. Sobre os prazos, ele afirma: “Há prazos de 240 a 300 dias para a entrega dos veículos já solicitados e tem locadora pequena que fez pedido de dez carros em dezembro do ano passado e até agora não recebeu”.

Até o primeiro semestre, as montadoras estavam bloqueando alguns modelos específicos, mas agora, segundo a associação, praticamente toda a gama em determinadas marcas não está mais disponível. Em 2019, as locadoras receberam 620 mil carros, número que caiu para 360,5 mil em 2020.

Para 2021, a previsão é de receber somente 380 mil ante a previsão inicial de 450 mil. Até setembro, 310,5 mil foram recebidos e desse total, um terço veio da Fiat com 105 mil carros. Segundo a Abla, atualmente os mais comprados são os modelos Argo, Mobi e Gol, carros populares que podem ser usados especialmente em serviços de aplicativo.

Num setor que a rotatividade dos carros alugados é alta, a idade média chega a 23 meses, muito acima da média de 14 a 15 meses antes da pandemia. Júnior comentou: “Todos os segmentos nos quais atuamos estão sendo afetados e no caso das frotas terceirizadas tem havido renovação com os veículos em uso, ou seja, não há modelos novos para fazer a troca”.

Atualmente, as 11 mil locadoras do país possuem 1.070.000 veículos, apenas 63.000 a mais que em 2020. O setor ainda recebeu de volta 30.000 carros de aplicativos, devolvidos devido à alta dos combustíveis e do custo dos aluguéis. Hoje, a frota locada tem 170 mil carros contra 200 mil de antes da Covid-19.

Outro efeito que todos nós sentiremos no bolso a partir de janeiro de 2022 é o aumento do IPVA. Este imposto se baseia na tabela Fipe, que foi inflacionada pela alta dos usados. Nesse caso, parte do problema vem das locadoras.

Miguel Júnior explicou: “Como estamos segurando os seminovos nas locadoras, houve significativa redução da oferta desses modelos no varejo, com a escassez de produtos provocando aumento dos preços”. Sem o repasse para as lojas multimarcas e concessionárias, as locadoras mantêm seus carros usados em serviço, ainda que em desagrado dos clientes, por não haver reposição.

Assim como numa bola de neve, a falta de chips provoca diversos efeitos indesejados no setor automotivo e também na economia nacional, que certamente demorará mais a se recuperar.

[Fonte: Auto Indústria]