Os últimos dois anos não foram gentis com muitos setores da economia brasileira. O mercado de automóveis, por exemplo, viu-se afetado não apenas por mudanças no perfil e comportamento dos consumidores, influenciados pela pandemia de covid-19, mas também por fatores que foram da busca por menos burocracia à escassez de insumos para a produção dos veículos.

Agora, com a pandemia momentaneamente controlada e a maior parte das atividades econômicas voltando a ganhar força, entidades de classe e especialistas no setor automotivo começam a antecipar as tendências para 2022.

Mais informações para o consumidor

Comprar um carro – novo ou usado – não tem sido tarefa fácil há vários meses. A falta mundial de chips, usados em inúmeras partes do veículo, fez os preços dispararem e a espera pelos veículos se arrastar por meses a fio. Todo esse contexto causou uma mudança drástica no que os consumidores esperam de uma negociação.

Para o head comercial da DealerSitesl, Marcos Pavesi, uma das necessidades para conquistar o cliente em 2022 é a oferta de mais informações sobre a compra. “A jornada de compra hoje está um pouco mais longa – e isso acontece porque ela está no digital. O vendedor conseguia trazer um senso de urgência e de escassez para o consumidor, o que não acontece quando a negociação é digital. Mas essa jornada pode ser reduzida se o consumidor tiver acesso a informações transparentes”, explica.

Isso pode ser feito de várias formas, mas a ideia central precisa ser deixar claro para o cliente o máximo possível de detalhes durante as etapas de compra.

“O consumidor precisa ter acesso ao preço do carro, à taxa de financiamento, a como funciona a simulação de compra com esse financiamento, por exemplo. Ajuda ainda mais se a concessionária oferecer também uma estimativa de valor do carro usado que pode ser utilizado como parte da compra.”

Embora esse último fator não seja simples, é fundamental deixar o cliente à vontade para dizer quanto ele gostaria de receber no carro usado, detalha o especialista.

Confira as tendências do mercado automotivo para 2022

Assinatura e aluguel por períodos curtos

Ao usar menos o carro no dia a dia, muita gente percebeu que ter um carro particular, muitas vezes, não é a opção mais adequada para seu perfil. E os aplicativos de mobilidade, como o Uber, não são mais as únicas opções para essas pessoas.

Presente no exterior já há alguns anos, uma nova modalidade de aluguel de veículos começa a ganhar força no Brasil: o aluguel por períodos mais curtos. O usuário se cadastra por meio do app, seleciona o veículo desejado, cadastra um cartão de crédito e já pode sair andando. O gerente de operações e inovação da VIX Logística e do V1, Leonardo Ballestrassi, afirma que a facilidade para alugar e devolver os veículos atrai cada vez mais interessados no modelo.

“A ideia desse formato de aluguel é ser 100% digital, do início ao fim. Temos, por exemplo, a modalidade de aluguel por 12 horas, sem filas. Depois que o cadastro é aprovado via aplicativo, o cliente sai com o carro em três minutos”, conta.

Carros usados e financiamentos em alta

Assim como vem acontecendo nos últimos anos, os veículos usados e a procura por financiamentos devem continuar aquecidos por mais algum tempo. Economicamente falando, a expectativa é otimista.

O vice-presidente da Tecnobank, Luís Otávio Matias, lembra que “o mercado de automóveis e financiamento é muito resiliente e mostrou toda essa força durante a pandemia. O mercado financeiro gosta de bons ativos e o financiamento de automóveis é um deles. Então, acredito que o mercado vai ser criativo para buscar esse ativo”.

[Fonte: G360]